07 maio 2018

SOLIDÃO BENFAZEJA

Acabo de ver no jornal da manhã que nos Estados Unidos fizeram uma estatística com 20.000 americanos e criaram uma escala da solidão com pessoas de várias idades. Conforme a idade aumenta, o índice de solidão diminui.

Entre 18 e 22 anos 48,3 % sentem solidão:

Os mais jovens sentem a solidão da incompreensão, da dificuldade de estar com outros que pensem como ele e de achar que as pessoas não o conhecem como indivíduo, apesar do intenso uso das redes sociais

Com 72 anos ou mais 38,6% se sentem sós:

Os mais velhos se sentem mais próximos dos outros e sabem que têm pessoas com quem podem contar.

Os estudos dessa pesquisa relatam que a solidão e a saúde estão ligadas;

  • A solidão aumenta o estresse.
  • A atividade física e o sono diminuem a probabilidade de se sentir solidão.
  • Ter amigos, conviver com a família diminuem a sensação de se estar só.
  • Ocupar-se, sentir-se útil, ser o protagonista de sua vida diminuem a solidão.
  • Mas, o mais importante é buscar o equilíbrio.
Pessoalmente sinto que necessito estar só em certos momentos, preciso desse recolhimento, desse tempo comigo para recarregar minhas energias. Que sensação incrível é se jogar no sofá para ler um bom livro ou assistir uma série na TV, depois de um interminável almoço de família! Esse ninho acolhedor que é a família nos alimenta e nutre com vários sentimentos bons. Nutre tanto que precisamos um tempo para digerir.

Quando temos decisões a tomar, nos empenhamos em algum aprendizado que julgamos importante, quando nos divertimos com nossos pares e rimos de nossas dificuldades também precisamos de um tempo para nos recuperar. 

Felizmente nos 60 + temos tempo e maturidade para entender que, com calma e perseverança podemos usufruir dessa fase interessante da vida.

Equilíbrio é tudo de bom.

04 maio 2018

ATÉ A ÁFRICA




Pessoa inteligente com mestrado, pós-graduação em várias áreas. Decidiu ser escritor na maturidade, quando sua bagagem de vida havia acumulado experiências significativas. Porém, não saiu escrevendo à toa. Foi buscar elementos, oficinas e, o principal, leitores. 

Sabia que quando estivesse pronto um editor iria descobri-lo e publicá-lo e assim aconteceu. Resultado? Finalista do Prêmio Jabuti.

Bom amigo, presente, pontual, sincero. Às vezes um pouco esquisito, mas, afinal, todos nós somos de um modo ou de outro. 

Outro dia falávamos sobre envelhecer. Quando digo envelhecer estou falando dos 80+, posto que 60+ já somos. Digo que gostaria de morar na praia, de poder ver o mar todos os dias e ele me responde que já traçou seu plano: vai trocar seu apartamento na cidade por uma casa no litoral, pé na areia. Um imóvel pelo outro, taco a taco. Então, um dia, ele vai entrar no mar calmamente, sentir as ondas nos pés, nas pernas, vai andar até onde der, depois mergulhar e nadar até a África.

Fiquei sem resposta, pensando apenas. Imaginei a cena, me emocionei.

Que privilégio poder decidir o final do livro que conta a história da própria vida!

03 maio 2018

CORAGEM


Somos Reinventandos, participantes do curso de Reinvenção Profissional da Uni-Inversidade dentro Movimento LAB60+. Nosso objetivo é divulgar a importância de nos reinventarmos sempre principalmente na maturidade, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Nos reunimos mensalmente e nosso primeiro tema de discussão foi CORAGEM.

A coragem pode ser moral forte perante o perigo.  Pode ser bravura, intrepidez, perseverança, capacidade de suportar esforço, audácia e uma infinidade de sinônimos. Estamos falando sobre a coragem de nos reinventarmos profissionalmente depois dos 50+, 60+ ou 70+, que pode levar também a uma reinvenção pessoal, renovando os propósitos para nossa vida, ou procurando novos desafios.

Costumamos dizer que somos os  'vetera novis', os novos velhos nessa época em que a idade média do brasileiro sobe a cada dia,  com perspectivas de chegarmos aos 100.

Quando eu penso em coragem, penso no filme da década de 80 “Sociedade dos Poetas Mortos”,  com Robim Williams. Penso na cena clássica no final do filme quando os alunos ousam subir nas carteiras e dizem Captain my Captain referindo-se ao poema de Withman e defendendo o professor.

Pessoalmente acredito que  a coragem pode vir depois de um grande medo; e o medo pode esconder uma grande coragem. Medo e coragem andam juntos, competindo entre si e nos desafiando a tentar, ousar, arriscar, o que nem sempre é tão fácil.



Diego Liguori, participante do grupo, nos chama a atenção para as pequenas coragens de cada dia. 

Diz ele:

Como vimos, existe a coragem com letra maiúscula, aquela que pode nos levar e enfrentar grandes perigos por uma causa que consideramos essencial.

Porém, também existe a coragem de todos os dias, das pequenas ações. Estarmos aqui juntos, o que parece tão simples, não é um ato de coragem? Poderíamos estar em casa, lendo um livro, mas viemos até aqui procurando algo mais. Não é preciso coragem para levantar-se todos os dias com vontade de fazer coisas e com novas ideias na cabeça?

E a questão financeira? Viver com a incerteza de não saber se nossos rendimentos atuais, sejam quais forem, vão nos permitir ter uma vida digna até o fim.

Por fim, que dizer do esforço de mostrar que ser idoso não é um carimbo de inutilidade. Pelo contrário, temos muito a oferecer à sociedade, mas conhecendo também nossas limitações, sem pretender ir além do que elas sinalizam. Não é um esforço coletivo de coragem que temos que cultivar todos os momentos? 

Falamos também da coragem de procurar fazer algo diferente a cada dia, a coragem de enfrentar a cidade grande e agressiva, a coragem se conhecer, a coragem de falar o que pensa dentro de uma sociedade que valoriza as aparências, a coragem para sairmos de casa e buscarmos nossos pares e fazermos alguma coisa pelo bem comum. A coragem de ser!

Clarice Lispector


" Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante."



03 abril 2018

ESCREVER FAZ BEM OU FAZ MAL?



Quando a maturidade chega, vem uma vontade de escrever memórias, como se assim a gente ficasse por aqui para sempre. Além disso, tentar organizar um passado faz com que a gente passe a vida a limpo. Dizem que escrever memórias faz bem, mantém a cabeça ocupada com o projeto, exercita o relembrar. Acho que às vezes a gente fica bem, às vezes não. Para revirar as gavetas do passado é preciso curiosidade, uma certa coragem e muito desprendimento.

Já faz um ano que publiquei meu livro "As Tias,  lendas de uma família..." pela Editora Patuá. Isso me fez avaliar o resultado, ou seja a resposta dos leitores. Não são tantos quantos eu gostaria, mas são bons, atentos, generosos nos comentários e nas críticas. Posso dizer que valeu.

Refleti também sobre a minha escrita, o meu processo de escrever as memórias e como eu me sinto ao escrever meus textos, sejam eles de um projeto em andamento ou simples crônicas que posto aqui e ali.

Escrever "As Tias" foi um longo processo mas resultou em um estado de accomplishment. Como traduzir? Plenitude, realização, talvez dever cumprido ou sonho que se realizou às custas de perseverança e determinação. Tive uma fase inicial, quando descobri alguns segredos de família e, com isso, a vontade de querer saber mais sobre as pessoas que não estavam mais aqui. Principalmente minha avó, que pouco conheci, e despertou em mim imensa curiosidade. Na fase da pesquisa, o cuidado de tocar nos assuntos proibidos e tentar entender o como cada omissão afetou seus descendentes. A seguir, foi a fase do quebra-cabeças, juntando peças, ou fragmentos de relatos. As pessoas foram morrendo, nesse meio tempo, e umas histórias soltas foram se conectando com outras.

Ouvi muitas opiniões de leitores beta, professores e escritores. Travei. Deixei o livro de lado por algum tempo e marquei uma data para fazer a revisão final. Nesse meio tempo, pensei que o livro era meu e que assumiria toda responsabilidade pelo conteúdo e qualidade do texto. As opiniões foram todas válidas, mas escrevi como eu mesma achava que deveria ser. Nessa revisão, limpei tudo o que indicasse julgamento ou preconceito de minha parte e assim pude perceber quanto amor existiu nessa família de imigrantes e seus descendentes.

Escrever sobre a história da família de minha mãe me fez bem. Foi uma sublimação dos ressentimentos que juntei durante minha própria vida, foi um passar a limpo muito benéfico. Senti que todas aquelas pessoas estavam ali comigo e que elas também estavam se sentindo bem. Tive uma longa depressão “pós-parto” e depois de quase um ano decidi que o que eu quero fazer da vida de agora em diante é escrever. E tudo que diz respeito ao hábito de escreve: ler, estudar e estar com pessoas que tenham o mesmo interesse que eu.

Acredito que escrever “literatura” me faz bem. Escrevo todos os dias. Escrevo o que eu quero que os outros leiam no computador. Depois transformo em livros, contos, cônicas, mini contos e publico algumas coisas. Porém, tenho cadernos e mais cadernos de escrita a mão, com canetas coloridas ( ou não, depende da fase) onde escrevo o que não quero que leiam. Geralmente são cadernos bonitos, brochuras com capa de tecido ou belas estampas onde escrevo para mim, para minha reflexão e autoconhecimento. Às vezes o processo é um pouco doloroso, mas não tenho censura, ponho para fora o que me aflige. Escrever assim também me faz bem.

02 abril 2018

QUANDO ELA COMEÇA?

Sabemos muito bem como a velhice termina. Mas,como e quando ela começa?

Dizer que as três fases da vida são infância, idade adulta e velhice é simplificar muito nossa existência por aqui. Os ritos de passagem de culturas diferentes indicavam ( e ainda indicam)  quando a criança deixa de ser criança e passa a ser adulta. Uma passagem abrupta e decisiva. Simplificando, as meninas estão prontas para procriar e os meninos para serem  machos corajosos e cuidarem das fêmeas e suas crias.

Já, atualmente a subdivisão começa na infância:  primeira infância, segunda infância e pré-adolescência. E a adolescência, que há muito pouco tempo nem existia hoje é super valorizada, pode ter uma indicação de quando começa, mas não se sabe quando termina.  Em alguns casos, vai até depois dos trinta anos...

A indicação que a idade adulta  começa fica entre 18 e 21 anos quando o sujeito já pode dirigir e beber em lugares públicos. Depois são os anos de investir na carreira, juntar dinheiro, formar família, ou não. Mas, vamos pensar que hoje vivemos mais, fazemos coisas que as pessoas da mesma idade que temos não faziam antes - esportes, viagens, reinvenção do trabalho, novos relacionamentos e por aí vai. Ah! Dizem que os 60+ são os novos 40+! Os 50+ são os novos 30 e por ai vai. Com isso, o que observo é que a velhice pode também ser classificada. Digamos que entre 40 e 60 somos aspirantes a novos velhos. A partir dos 60 as mudanças se tornam mais evidentes e podemos dizer que estamos ficando velhos. Depois dos 75,  sim,  já somos velhos, veteranos em velhice.

Aspirantes a velhos
Novos velhos
Veteranos em velhice...


Acho que é mais ou menos assim.

O quede fato importa é entrar em contato com a gente mesmo, buscar o autoconhecimento  em qualquer fase da vida, principalmente depois de um tempo quando começamos a sentir mais as transformações do corpo, e tirar partido.

Talvez a velhice seja uma segunda adolescência.Temos uma ideia de quando começa, mas não sabemos quando vai terminar...

15 março 2018

APOSENTANDOS


Encontro com  Carlos Francisco, 66, não nos víamos há muitos anos e o assunto era mais ou menos o esperado. Como vai a família, e fulano e sicrana, e os filhos,  o que tem feito. A conversa sai do lugar comum quando ele me conta que está  se aposentando. Nada de depressão e nem entrar naquela de ficar consertando a campainha, trocando lâmpada, indo ao mercado ou "pesquisando" na internet.

"Estou me aposentando numa boa porque já venho pensando nisso há anos. Me programei, voltei a ter moto  e me distraio com isso já faz tempo. Fui incrementando a máquina, dando um trato e depois troquei por uma melhor. Hoje  está do jeito que eu queria.  Sabe o que eu faço?  Quando as coisas começam a embaçar,  eu pego a moto e saio por aí. Dou uma volta, às vezes pego a estrada e volto pra casa novinho, cabeça fria. E tenho os amigos também, a turma que se encontra na padaria do Venâncio todo sábado de manhã. É sagrado. A gente vai pra lá, bate papo, fala de moto, às vezes sai aquele enxame de motoqueiros só pelo prazer de pegar a estrada. Olha, vou contar pra você. Não tem coisa melhor.

Durante a semana eu gosto de fazer caminhadas de pelo menos  cinco quilômetros, até dez. É pra manter a forma. Ás vezes vou de manhã e de tarde. A cidade é plana e eu não tenho preguiça. Também não tenho barriga, olha aqui ó. "

E bate a mão no estômago com orgulho. Nisso, chegam as filhas e abraçam o pai .

" Meu pai não está gato, tia? Olha só, tem até tatuagem."

Pergunto se ele usa jaqueta de couro e bandana, ele dá risada. Cuidar da moto e ir adquirindo os acessórios fez parte do projeto de aposentadoria. Hoje, em vez de ficar cutucando o passado ele tem coragem de fazer o que gosta,  olha para frente, para a estrada, caminhando ou dirigindo a bike.

Carlos Francisco tem um bom humor que faz com que a gente queira ficar por perto. Dorme bem, se exercita, se alimenta bem, mas não dispensa um torresminho, carne de porco, pimenta  a cerveja. Dedica tempo de qualidade à família, o filho mais novo e o sobrinho também curtem moto, saem os três juntos. Aos domingos, sempre acontece um almoço no casarão antigo que era da avó, e agora a mãe e as tias tanto cuidam da casa como preparam os almoços. A família toda comparece, primos, sobrinhos, tios, tias e agregados.

No facebook Carlos mantém discreto perfil, porém não deixa de marcar sua presença entre os amigos e assim nunca perdemos o contato nesses quase 40 anos. As fotos  das viagens que faz com a esposa, ou das aventuras on the road, são geralmente da paisagem. Quando ele aparece, está lá fundo, mal da para ver. Entendo com isso a importância que ele dá para a natureza e os belos cenários que visita

Meu amigo me fez pensar que ele é um bom exemplo de vetera novis, ou seja, de um novo velho que faz do limão que é envelhecer uma boa limonada (ou um copo de cerveja gelada). Sem muita firula, planejou sua aposentadoria e, no momento em que essa fase da vida está prestes a acontecer, já tem seu plano B. Se vai continuar para sempre? Não importa.

Não importam também que os comentários preconceituosos pipoquem  aqui e ali. Coroa motoqueiro, olha só de bandana e tatuagem, esses velhos de moto ...  E outras alfinetadas se perdem no pó da estrada, eu diria que é pura inveja. Quem não se lembra de Peter Fonda e Jack Nicholson em Easy Rider? Quem não tem vontade de pegar uma moto e sair pela estrada com o vento batendo no rosto?

A liberdade que a gente sempre anda buscando está bem na nossa frente, basta mudar o modo de olhar.

Get your motor runnin'
Head out on the highway
Lookin' for adventure
And whatever comes our way...

13 março 2018

UMA PALAVRINHA


UMA PALAVRINHA

Medicina. Seis anos de estudo em período integral. Depois, mais quatro anos de residência e especialização - poucas vagas para completar a prática – opção, quase obrigação, de mestrado e doutorado. Dez anos de estudos, mais disposição para estudar a vida inteira. A Medicina é praticamente uma missão, o médico jura consagrar sua vida a serviço da humanidade e ter a saúde dos pacientes como primeira preocupação. Precisa saber lidar com os pacientes e suas fragilidades, precisa estar preparado para conviver com a dor e com a morte. Culturalmente, temos dificuldade até de tocar no assunto. Se alguém diz quando eu morrer, logo ouve um credo vira essa boca pra lá...
Está muito na moda dizer que os 50 são os novos 30, os 40 são os novos 60, mas será que os que estão abaixo desses números sabem disso?

Maria Cristina, bióloga, divorciada, 61 anos, feminista e defensora da ecologia vai a um médico ginecologista pela primeira vez. Depois das perguntas de praxe o jovem doutor pergunta:

- A senhora ainda tem vida sexual?

Ainda? Por que ainda? Bruna Lombardi, fotografada pelo marido em poses sensuais, tem 65. Ney Matogrosso, aos 76, arrasa nos palcos. Ah, mas eles são artistas! São. E daí?

Por acaso,  na na ocasião da consulta, Maria Cristina estava sozinha, mas se sentiu constrangida ao dizer isso ao médico. Pensou em várias repostas não muito educadas, mas achou melhor falar a verdade A palavrinha ‘ainda’ ficou zanzando na sua cabeça por um bom tempo. Se ela fosse homem certamente o médico não faria essa pergunta.

Há muitos anos assisti a uma palestra do nagual, ou xamã, conhecido por Dom Miguel Ruiz. Nascido no México, esse médico neurologista resolveu estudar as tradições religiosas de seus ancestrais, divulgá-las por meio de palestras e livros, além de adotá-las como filosofia de vida. O primeiro livro “Os Quatro Compromissos da Filosofia Tolteca” explica que esses quatro acordos abrangem toda a sabedoria do mundo. São eles: 
1- seja impecável com sua palavra; 
2- não leve nada para o lado pessoal; 
3- não tire conclusões; 
4 - dê sempre o melhor de si. 

Na ocasião fiquei intrigada e me aprofundei no assunto. Porém, com o passar dos anos, o compromisso que sempre me vem à mente é número 4- não tire conclusões. Não estou aqui para pregar nem convencer ninguém, mas as palavras do nagual me marcaram. Não gosto quando tiram conclusões a meu respeito sem me conhecer e, com muita disciplina, procuro não fazer o mesmo. É uma luta, mas não é impossível. Essa memória me veio assim que eu ouvi o relato de Maria Cristina.

Na nossa cultura a gente sempre “acha”. Acha que o outro ficou chateado, que entendeu, ou não entendeu, que gosta e aprova isso ou aquilo. Acha que podia, que devia, que sabia... Pior, colocamos pensamentos - palavras e ações - nossos na cabeça do outro. Tantos desentendimentos por causa disso.

Os novos velhos - os vetera novis – ainda não são reconhecidos em uma sociedade preconceituosa e “achista”. Para falar a verdade, muitos ainda não se reconhecem, pois representam uma faixa estaria específica, fruto das mudanças rápidas e infinitas que a sociedade vem passando. Achamos que fulano é velho, ou que nós somos velhos, e adotamos todos os clichês. No ônibus/metrô/etc. a imagem que identifica os velhos é a de uma figura humana inclinada, segurando uma bengala. 

Vamos pensar nas pessoas que conhecemos entre 60 e 75 anos. Além da lista de famosos, vamos pensar nos amigos e parentes. Meus amigos de 65 ou 75 anos jogam duas ou três partidas de tênis todo fim de semana. Uma professora vetera novis, de 62 anos, é maratonista. Vários novos velhos, como eu, com mais de 60, estão reinventando sua carreira profissional.

A palavra que escapa, o ato falho, diz muito. Citei um exemplo da falta de empatia de um jovem médico, mas o tal “achismo” está em todos nós. Os profissionais da saúde, porém, têm responsabilidade maior, pois estão lidando com saúde e doença, vida e morte de outro ser humano.

Para finalizar, dentro ainda do contexto de não tirar conclusões precipitadas, mais um exemplo, dessa vez sobre dor. Doutor, estou com uma dor aqui... Não, o senhor não está com dor aí. Como assim? Se estou falando que estou é porque estou. 

Hoje se sabe que a dor é uma doença, que algo não está bem e o cérebro manda esse alerta por inúmeras razões. No envelhecimento o corpo sinaliza o desgaste natural, se o paciente diz que está doendo é porque sente dor, dormência, coceira, desconforto, enfim. Não dar ouvidos é, no mínimo, cruel.
Da mesma maneira, quando o médico pergunta se a paciente ainda tem vida sexual é porque chegou à conclusão de que não tem mais.  Será? A libido desconhece números.